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Serviço de Psicologia

À Conversa com Pais: adaptação e orientações de estudo em foco

No dia 15 de setembro realizou-se mais um encontro "À Conversa com Pais", desta vez dedicado à adaptação ao novo ano letivo e às orientações de estudo no 1.º Ciclo.

O meu filho vai para a escola, e agora?

Nem todas as crianças se adaptam ao mesmo ritmo. Choro, maior necessidade de colo, irritabilidade, ou alterações no sono e no apetite podem surgir nestas primeiras semanas, e são normais. As crianças são verdadeiras esponjas emocionais e podem projetar em si a nossa própria ansiedade: gerir as nossas emoções primeiro é o que nos permite tranquilizar melhor os nossos filhos.

Dicas para os pais da creche

  • Normalize as suas emoções, ansiedade e culpa são comuns
  • Transmita segurança com despedidas curtas e consistentes
  • Tenham reencontros calorosos
  • Mantenha rotinas de sono e alimentação desde o início
  • Selecione objetos de transição (peluche, fralda, foto da família) para conforto nas despedidas
  • Comunique com a equipa: partilhe hábitos, conquistas e necessidades
  • Simplifique a logística, prepare a roupa e a mochila na véspera
  • Crie momentos de qualidade ao final do dia para reforçar o vínculo

Dicas para os restantes pais

  • Preparem material e roupa em conjunto, para promover a autonomia
  • Estabeleçam horários estáveis de sono e refeições
  • Criem um espaço tranquilo em casa para trabalhos ou leitura
  • Validem emoções: novos professores, colegas, rotinas
  • Ensinem estratégias simples para lidar com ansiedade ou nervosismo
  • Mantenham comunicação aberta com os professores, para alinhar expectativas
  • Reforcem valores de responsabilidade, cooperação e respeito

Estabilidade e segurança passam também por criar rotinas: horários regulares para acordar, fazer refeições, brincar, estudar e dormir. A escolha das atividades extracurriculares deve ser ponderada, valorizando também o tempo livre para descansar e explorar interesses, e repetir pequenos rituais, como preparar a mochila juntos ou conversar sobre os momentos importantes do dia, ajuda a criar essa sensação de previsibilidade.

"Pais tranquilos, crianças confiantes. Preparação e consistência resultam numa adaptação mais serena."

O final do dia pode ser o momento em que aparecem as emoções que ficaram "guardadas" durante a escola. Vale a pena reservar algum tempo para uma transição tranquila entre a escola e casa, oferecer proximidade, lanche, movimento ou tempo de brincadeira, conforme a necessidade da criança, e aceitar que ela pode estar mais cansada, sensível ou irritável. Nas primeiras semanas, vale também a pena limitar o excesso de atividades e estímulos depois da escola. Perguntas simples costumam funcionar bem para desbloquear a partilha: "Qual foi uma coisa boa de hoje?" ou "Houve alguma coisa difícil?"

Orientações de estudo e trabalho de casa

O segundo tema em agenda, muito debatido no 1.º Ciclo, é a diferença entre orientações de estudo e trabalho de casa, que se pretende refletir para alinhar intenções e práticas.

A ideia central que quisemos trabalhar com as famílias é simples: a escola tem a responsabilidade de construir, na criança, o estudante que progressivamente nasce ao longo do 1.º Ciclo e de o orientar na construção da sua autonomia; à família cabe criar, dentro da sua dinâmica própria, o tempo e o espaço para que esse estudo possa acontecer.

Neste sentido, as orientações de estudo no Oceanus são semanais e o prazo de entrega nunca é inferior a uma semana. Algumas respondem a necessidades concretas de reforço ou consolidação e, por isso, assumem particular importância. Outras são propostas facultativas, pensadas como oportunidades para aprofundar, experimentar, descobrir ou alimentar a motivação e o gosto por aprender.

O essencial não está em determinar, a cada momento, se uma orientação é "obrigatória" ou "facultativa". Está em ajudar a construir, neste estudante que nasce, a consciência de que estudar exige tempo, compromisso e responsabilidade, percebendo também que cada criança é diferente e que, muitas vezes, precisa de dedicar o seu tempo a coisas diferentes.

Este caminho precisa, necessariamente, de respeitar a família a que cada criança pertence. Não queremos que uma orientação de estudo invada o tempo da família, mas também não queremos que a autonomia do estudante nasça sem acompanhamento. Queremos encontrar esse equilíbrio.

Vivemos numa sociedade em que o tempo partilhado em família é cada vez mais precioso. Por isso, queremos que as nossas crianças tenham tempo para cozinhar com os pais, passear juntos pela praia ao final de um dia, participar nas tarefas de casa, ver um filme com direito a pipocas, demorar-se num almoço de domingo com a família alargada, visitar amigos, brincar no parque, conversar, estar simplesmente juntos a fazer um belo pedaço de nada.

Tudo isto também educa.

O verdadeiro trabalho de casa começa, muitas vezes, precisamente aí: na participação na vida familiar, na responsabilidade partilhada, na autonomia, na relação com os outros e no cuidado pela casa e por quem dela faz parte.

As orientações de estudo devem encontrar o seu lugar dentro desse equilíbrio, não como uma tarefa que compete com a vida familiar, mas como uma oportunidade para a criança aprender, progressivamente, a organizar-se e a assumir o seu percurso enquanto estudante.

Não queremos crianças em trabalho ininterrupto, crianças que, tantas vezes, acabam por trabalhar mais horas do que muitos adultos. Mas também não queremos abdicar do acompanhamento do estudo, da consolidação das aprendizagens ou da construção da autonomia.

"Queremos crianças que aprendam a estudar e famílias que continuem a ter tempo para viver juntas."

É nesse equilíbrio, com respeito pela singularidade de cada família e pelas necessidades de cada estudante, que queremos acompanhar o crescimento.